Nos gestos, nas cores, nos traços, nos cortes de cabelo, o meu amor é plural. Nas manias, nas angústias, nos risos, nas frases de efeito, eu amo desse jeito, todo o jeito das gentes todas. Eu amo o amigo e a fatilidade sincera e carinhosa dos encontros semanais, eu amo os dias programadamente iguais que nós fazemos questão de viver, amo assim, rindo do tédio, mas riso junto. E há amor também nas rotas aéreas, nas estradas cansadas, que se alargam e se encurtam; amo a ciranda das mudanças, o tempo e espaço não mais condensados, não mais trocas de roupas e receitas, e novamente tendo o peito aberto, amo todos os meus amores. Amo sobretudo essa distância que arrisca derrubar, sacode, mas só deixa claro que nem água límpida e cristalina, esse amor-amigo que a gente sente, eu sinto assim, nem me pregunte como. E nos dias mundanos, os porres e as promessas, é nesses dias que a gente quer escrever nas paredes isso que a gente sente.
É simplesmente amor o que sinto quando olho no olho desses meus companheiros e vejo aquele sorriso presenteado, sorriso de olho é duas vezes sorriso, amo o olho do amigo. Estar junto é essa dança de carinho, esse baile real e nostálgico, esse presente de vida, às vezes presente silencioso, mas sincero. Às vezes, é carnaval maravilhoso de troças frevando versos de amor, essa coisa toda de cores que a gente chama amizade, é nesse maracatu que a gente é rei e rainha, e é calunga e é dama, a gente é gente que se aperta pra gritar o melhor hino, a gente se espera e se entende, ameaça cair, mas o cordão segura, segura, pois a gente é de baque-virado, e eu quero esse amor de ano novo e carnaval e dia de reis pra sempre.
Amo vocês, meus amigos!